Nunca te esqueças de quem és!
Olha-te ao espelho todos os dias e reconhece na tua cara a justiça, a serenidade e a coragem. Na rua, levanta a cabeça com orgulho. Ainda que mais ninguém saiba, estarás lá para nos proteger a todos e, quando necessário, agirás, sem hesitação.
Nunca te esqueças de quem és porque, no dia seguinte, terás de olhar novamente o espelho e continuar a reconhecer na tua própria cara, a justiça, a serenidade e a coragem.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Estádios de Sítio

 
“Observations of the rare and limited incidents that did occur as well as potential incidents that had all the ingredients for escalation, but did not in fact escalate, allows to state that, in spite of low visible police presence, most of these incidents were responded to quickly. The absence of major incidents was therefore not just a matter of chance. Quick and targeted lowprofile police interventions prevented escalation. In this way, clear behavioural limits were set. Police strategy and tactics contributed to an atmosphere where fans identified as football or Euro2004 fans first (rather than just as fans of their respective national teams), non-violent behaviour was the norm and fans opposing violence became empowered. As a consequence, several examples of self-policing among fans could be observed.

This argument is strengthened by incidents that did occur in the Algarve (in Albufeira), where police tactics differed. Initially, behavioural limits were not set and the police response to beginning incidents did not differentiate between troublemakers and bystanders. Here, those willing to use violence were empowered. The conclusion of the research (Adang & Stott, 2004; Stott & Adang, 2005; Stott et al., 2007) was that the police strategy and tactics (the low profile approach, where behavioural limits are set friendly and firmly) was successful and contributed to the existence of a common football/‘Euro 2004’ identity among fans and the empowerment of non-violence and self-policing among fans.”

Policing football in Europe
Experiences from peer review evaluation teams
Otto Adang & Elaine Brown (Pag. 213)
© 2008 Politieacademie Apeldoorn


Em suma, o que conclui Otto Adange e Elaine Brown é que o planeamento e sucesso do Euro 2004 se deve, essencialmente, à prestação da PSP cuja eficiência apesar de um intencional low-profile, contrastou com a prestação da GNR, força que tinha a responsabilidade sobre o Estádio do Algarve mas que na ânsia de demonstrar todo o valor da sua vertente musculada, se conseguiu notabilizar pela negativa, deitando tudo a perder em Albufeira ! ! !

Curiosamente, não parece ter pedalada para controlar a criminalidade que vai ocorrendo por lá nos dias que correm, querendo envolver a PSP na sua incompetência e incapacidade de se portar como uma Polícia (faz-se notar que a criminalidade na área de intervenção da PSP no Algarve tem vindo a diminuir, pelo que é injusto não se fazer essa distinção, dizendo que, se existe um aumento da criminalidade, a responsabilidade é exclusivamente da GNR).

Os nossos leitores devem estar a perguntar-se do porquê deste post?

Eu explico:

1- A PSP, no âmbito das comemorações do seu 144.º Aniversário, lançou um desafio social interessante, apelando à sociedade, no seu todo, para combater a violência no desporto e em especial no futebol, através do Seminário “Estádios de Sitio”

2- A PSP é o Ponto Nacional de Informações de Futebol;

3- A PSP desenvolveu o modelo de policiamento do Euro 2004 e as Unidades Metropolitanas e Distritais de Informações Desportivas, vulgo “Spotters”;

4- A GNR, e à semelhança dos posts anteriores, também isto quis “COPIAR”, exigindo a Sua Ex.ª o Sr. Ministro da Administração Interna a “paridade” no envio de Spotters às competições internacionais, nomeadamente aos Euros que se seguiram a 2004.

Faz-me lembrar a rábula dos “Gato Fedorento” – Ai, e tal,…também queremos…!!!

Como é que isto é possível quando os únicos jogos de futebol que a GNR acompanha são o do “Cascalheira versus Alguidares de Baixo”?

Como é que é possível que os sucessivos Governos permitam esta choraminguice para obtenção de protagonismo que, conforme se pode depreender de estudos internacionais, nomeadamente o referido em cima, só dá má imagem a Portugal?

Em conclusão, relembro uma outra rábula, a do Nuno Lopes, em “Os Contemporâneos” – “Vai mas é trabalhar…óóó….!!!!”

AF

terça-feira, 5 de julho de 2011

SERÁ VERDADE?


Se dúvidas ainda houvessem, aqui vai um conjunto de imagens que esclarece porque se quer fazer a reforma da segurança interna mexendo nas polícias civis e deixando de fora e a engordar a GNR.

O que espanta é a falta de descernimento dos polícias civis que se atiram uns aos outros em vez de perceberem que o seu "inimigo" está de fora.

DS

segunda-feira, 4 de julho de 2011

FACTOS & MITOS: QUEM DUPLICA O QUÊ NA SEGURANÇA INTERNA?


A discussão sobre a reforma da segurança interna tem trazido a lume a pior vaga de aldrabices e de enganos para justificar uma suposta racionalização, atacando uns mas protegendo descaradamente outros.
O “Programa Chaves” preconiza uma reforma na qual se mantém “Uma Força de Natureza Militar (Guarda Nacional Republicana) mantendo as actuais competências e vocacionada para a vigilância de todo o território (na perspectiva de uma segurança ambiental cada vez mais exigente, extensiva à protecção de grandes infra-estruturas críticas) e subsidiariamente para tarefas tipicamente policiais nos locais onde não exista a Polícia Nacional, sem perder a vocação de interface com as Forças Armadas. Integrará na sua missão o controlo de explosivos e a segurança e controlo das plataformas aeroportuárias, bem como a segurança e defesa de todos os pontos sensíveis do território nacional, perdendo a valência do serviço marítimo, ficando este limitado às águas interiores e mantendo a vigilância e intercepção terrestre na área de costa, especialmente vocacionada para os domínios fiscal e aduaneiro.”
Notamos que toda a “racionalização” parece focar-se nas forças e serviços de segurança civis (PSP, PJ, SEF) que não só deixam de existir para se fundirem e criarem uma força única como, neste processo são forçadas a ceder competências (especialmente a PSP) que não só são suas há longos anos (com a respectiva experiência e conhecimento densificado), como lhes serão imprescindíveis caso tal projecto de fusões avance.
Também o Professor António Sousa Lara terá comentado, num estudo feito sobre a segurança interna e na sequência das actuais notícias de reestruturação das forças de segurança constante no Programa de Governo do PSD, que a PSP duplicava as estruturas das unidades especiais existentes na GNR.

Pois bem, é precisamente o contrário!

A propósito disto, existem alguns factos que importa conhecer, para que se perceba o histórico de tudo isto e se saiba com clareza quem anda a duplicar quem, quem é racional ou irracional na gestão dos seus recursos e em que tipo de problema estamos a meter Portugal e a segurança dos portugueses com esta militarização encapotada de Sistema Dual.
Em 1975 e face ao contexto social existente, surgiu a necessidade de se criar uma força com uma finalidade específica: assegurar a ordem e tranquilidade públicas.
Assim, em 25 de Novembro de 1975 é formada a Unidade Corpo de Intervenção da PSP, herdeira da extinta Companhia Móvel (desactivada após 25 de Abril de 1974). O seu aquartelamento tem início a 5 de Janeiro de 1976 no antigo Regimento de Cavalaria n.º 7 situado na Calçada da Ajuda - Belém e o primeiro recrutamento acontece a 31 de Janeiro de 1976.
Assim, a PSP já em 1975 tinha criada, regular e legalmente, a sua Unidade Corpo de Intervenção, com intervenções de manutenção e reposição da ordem pública na área da PSP mas também fora dela, por exemplo: em 1976, em Beja (área da GNR) numa manifestação de agricultores e em 1977, em Campo Maior (área da GNR) na desocupação de lagares.
De facto, a GNR tinha sido, na I República e mesmo durante o Estado Novo, a Guarda Pretoriana do regime, o que implicou que fosse sua a incumbência de garantir a ordem entre os populares.
Mas o desprezo pela proporcionalidade na aplicação da força e a falta de preocupação em adoptar doutrinas, tácticas e equipamentos adequados às intervenções de reposição de ordem pública com vista a atingir os objectivos com o mínimo dano possível (na I República chegaram a utilizar-se em Lisboa tiros com peças de artilharia para dispersar manifestantes), levaria a que deixasse de ser sua a missão de reposição da ordem.
Também o Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP foi uma unidade (actualmente uma subunidade da Unidade Especial de Polícia da PSP) que sempre causou inveja aos parceiros militares que julgam, não sem alguma bizarria, que as intervenções armadas devem ser um exclusivo das forças militares.
Quando se fala de duplicações entre as forças de segurança há que compreender que o GOE existe legalmente na PSP desde 1979.
A sua criação legal deu-se com o Decreto-Lei n.º 506/79, de 24 de Dezembro, como unidade especial da PSP para ser utilizada em todo o território nacional, com a missão de “…combater situações de violência, cuja actuação ultrapassa os meios normais de segurança e a colaborar com outras forças policiais na manutenção da ordem, na acção contra outras actividades criminosas, na protecção de instalações e na segurança de altas entidades…“.
Para integrar esta unidade especial da PSP, o pessoal foi recrutado, “…por voluntariado e escolha, entre o pessoal militar, policial e civil dos quadros orgânicos da PSP…”, com menos de 30 anos de idade, e ficando sujeitos a testes médicos, físicos e psicotécnicos.
Ultrapassados estes pré-requisitos, todos os voluntários para integrarem as subunidades operacionais do GOE frequentam o «CURSO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS» (COE).
Ora, apesar da GNR querer agora vir reportar a existência da sua unidade de operações especiais a 1978 (afirmando que o COE Alfa do BOP/RI/GNR existe desde esse ano, desempenhando missões em Portugal e no estrangeiro), antes da publicação da Lei n.º 63/2007, de 6 de Novembro, que aprovou a nova Lei Orgânica da GNR, essa valência não tinha existência legal.
A anterior orgânica da GNR, o Decreto-Lei n.º 231/93 de 26 de Junho que sofreu diversas alterações, mas que, relativamente a aspectos essenciais da organização e funcionamento da GNR estabelecia com clareza instrumentos e processos distintos da PSP, estabelecia:

Artigo 1.º
Definição
A Guarda Nacional Republicana, adiante designada por Guarda, é uma força de segurança constituída por militares organizados num corpo especial de tropas.

Artigo 2.º
Missão geral
A Guarda tem por missão geral:
a)    Garantir, no âmbito da sua responsabilidade, a manutenção da ordem pública, assegurando o exercício dos direitos, liberdades e garantias;
b)    Manter e restabelecer a segurança dos cidadãos e da propriedade pública, privada e cooperativa, prevenindo ou reprimindo os actos ilícitos contra eles cometidos;
c)    Coadjuvar as autoridades judiciárias, realizando as acções que lhe são ordenadas como órgão de polícia criminal;
d)    Velar pelo cumprimento das leis e disposições em geral, nomeadamente as relativas à viação terrestre e aos transportes rodoviários;
e)    Combater as infracções fiscais, designadamente as previstas na lei aduaneira;
f)     Colaborar no controlo da entrada e saída de cidadãos nacionais e estrangeiros no território nacional;
g)    Auxiliar e proteger os cidadãos e defender e preservar os bens que se encontrem em situações de perigo, por causas provenientes da acção humana ou da natureza;
h)    Colaborar na prestação de honras de Estado;
i)     Colaborar na execução da política de defesa nacional.

Artigo 71.º
Regimento de Cavalaria
1 - O Regimento de Cavalaria constitui uma unidade de reserva, em condições de intervir em qualquer área da responsabilidade da Guarda e de executar serviços de guarnição, honoríficos e de representação.
2 - Tem a seu cargo a remonta de solípedes, em colaboração com a chefia do Serviço Veterinário.
Artigo 72.º
Regimento de Infantaria
O Regimento de Infantaria constitui uma unidade de reserva, em condições de intervir na área da responsabilidade da Guarda e de executar serviços de guarnição, honoríficos e de representação.


Conclui-se que a GNR não tinha atribuições de operações especiais, inactivação de engenhos explosivos e, muito menos, de segurança pessoal que agora vai criando sem controlo e “legaliza” a posteriori, apontando o dedo acusador para o lado.

Pergunta-se afinal quem é que anda a duplicar o quê?

Vejamos:

Foi apenas na redacção da Lei n.º 63/2007, de 06 de Novembro (nova Lei orgânica da GNR) que surgiram as seguintes duplicações, até então fáceis de resolver.

Artigo 44.º
Unidade de Intervenção
1 - A UI é uma unidade da Guarda especialmente vocacionada para as missões de manutenção e restabelecimento da ordem pública, resolução e gestão de incidentes críticos, intervenção táctica em situações de violência concertada e de elevada perigosidade, complexidade e risco, segurança de instalações sensíveis e de grandes eventos, inactivação de explosivos, protecção e socorro e aprontamento e projecção de forças para missões internacionais.
2 - A UI articula-se em subunidades de ordem pública, de operações especiais, de protecção e socorro e de cinotécnica.
3 - Integram, ainda, a UI o Centro de Inactivação de Explosivos e Segurança em Subsolo (CIESS) e o Centro de Treino e Aprontamento de Forças para Missões Internacionais (CTAFMI).
4 - Por despacho do ministro da tutela podem ser destacadas ou colocadas com carácter permanente, forças da UI na dependência orgânica dos comandos territoriais.
5 - A UI é comandada por um major-general, coadjuvado por um 2.º comandante.

Percebe-se assim que a GNR só em 2007 é que viu serem-lhe reconhecidas legalmente algumas das competências que tem andado a “copiar” da PSP (algumas delas chegando mesmo a copiar descaradamente o nome!) há anos, com gastos elevadíssimos em material, formação equipamento e recursos humanos que ninguém quis ver ou impedir.
É preciso também que se esclareça que, embora não detenham competências de Segurança Pessoal, pois é uma competência exclusiva da PSP, a GNR já formou pessoal em Segurança Pessoal (duplicação sem competências, como aconteceu com o COE) e anda, por esse mundo fora, nomeadamente em Timor Leste, a dar formação em Segurança Pessoal, arrogando-se um conhecimento inaudito e assumindo-se como competentes nesta e noutras matérias!
Paralelamente, querem forçar a anexação da competência de segurança aeroportuária que a PSP exerce exclusivamente há mais de 60 anos, e a de controlo, licenciamento e fiscalização de armas e explosivos que a PSP exerce exclusivamente desde a extinção da antiga Comissão de Explosivos.

Será isto racional?

Estes são os factos, facilmente comprováveis por quem quer que seja, e é este o estado de uma força militarizada e disciplinada que, de uma forma inaudita, desbarata recursos do erário público duplicando unidades e competências de outras forças e serviços de segurança e de protecção civil e emergência…

AF / DS

sábado, 25 de junho de 2011

UM NOVO MODELO POLICIAL VERSÃO GNR


Na sequência do que referiu o DS no texto com o título A COMPETÊNCIA DE SEGURANÇA AEROPORTUÁRIA E A ALEGADA “FALTA DE COORDENAÇÃO NA SEGURANÇA INTERNA”, é importante conhecer o trabalho de outro ilustre e competente doutrinador da Guarda Nacional Republicana: o Tenente-General Carlos Henrique Pinheiro Chaves.
De acordo com o Projecto de Programa do Futuro Governo PSD que chegou a circular e foi partilhado com algumas personalidades da comunicação social, pretensamente da autoria do celebrado General, pretende-se que haja e cita-se:

Uma Força de Natureza Civil (Polícia Nacional) em tudo idêntica à actual força (Polícia Segurança Pública), vocacionada para a segurança pública nos maiores centros urbanos, retirando-lhe a valência de Operações Especiais (GOE), mas incorporando a Polícia Judiciária (PJ), criando uma Direcção de Investigação Criminal (DIC) dirigida por um Director Nacional Adjunto e, ainda, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras com igual tratamento.
A Direcção de Estrangeiros e Fronteiras (DEF) assumirá as missões/tarefas do actual SEF acrescentadas de todos os processos relativos à emissão documental (passaportes, vistos, etc).

A PN terá assim três grandes direcções: segurança pública, investigação criminal e de estrangeiros.
Uma Força de Natureza Militar (Guarda Nacional Republicana) mantendo as actuais competências e vocacionada para a vigilância de todo o território (na perspectiva de uma segurança ambiental cada vez mais exigente, extensiva à protecção de grandes infra-estruturas críticas) e subsidiariamente para tarefas tipicamente policiais nos locais onde não exista a Polícia Nacional, sem perder a vocação de interface com as Forças Armadas. Integrará na sua missão o controlo de explosivos e a segurança e controlo das plataformas aeroportuárias, bem como a segurança e defesa de todos os pontos sensíveis do território nacional, perdendo a valência do serviço marítimo, ficando este limitado às águas interiores e mantendo a vigilância e intercepção terrestre na área de costa, especialmente vocacionada para os domínios fiscal e aduaneiro.”

Ora, sobre isto, e embora já muito tenha sido dito por diversos sectores sindicais e associativos de algumas das organizações “visadas”, importa suscitar as seguintes questões:

1.    Como é que a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Polícia Judiciária (PJ), se juntariam numa única estrutura – a Polícia Nacional – mantendo competência para investigar o terrorismo e “perdendo” no caminho para a GNR, a competência relativa ao licenciamento, controlo e fiscalização do fabrico, armazenamento, comercialização, uso e transporte de armas, munições e substâncias explosivas e equiparadas, bem como a importante, eficiente e experiente “ferramenta táctica” que é o Grupo de Operações Especiais da Unidade Especial da PSP, única unidade legalmente constituída como força de combate ao terrorismo?

2.    Como é que a Polícia Nacional congregaria a investigação do terrorismo e do crime especialmente violento e “perdendo” para a GNR o controlo de plataformas aeroportuárias (meio de transporte preferencial dos terroristas)?
Poderemos concluir que o Tenente-General Chaves é o representante especial da GNR junto do actual governo?

A GNR quer o GOE e as Armas e Explosivos com tanta “sanha” que se “marimba” no sentido de estado e de segurança do próprio estado?

O badalado programa do Governo para a Administração Interna é, de facto, um programa do Governo, um programa da GNR ou um programa das forças armadas?
Estamos curiosos para saber o que pretende o General e onde vai aparecer de seguida!

AF
PS: A propósito do General Carlos Chaves, leia-se ainda o artigo do Diário de Noticias com o título 'Superpolícia' recruta general do Exército para assessor da sua amiga e entusiasta promotora, Valentina Marcelino. Apresentado apenas como General do Exército, a notícia descreve o curioso episódio da passagem deste oficial no gabinete do Secretário-geral do Sistema de Segurança Interna durante o Governo cessante, em jeito de estágio de preparação para o seu futuro, agora, presente.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A LÓGICA ESQUIZOFRÉNICA DA GUERRA AO TERRORISMO



O combate ao terrorismo não é um empreendimento que possa obedecer a estratégias unidimensionais e apoiado em meios exclusivamente militares (Simões, 2004: 511), mas é sobretudo “uma tarefa das forças policiais e do sistema judicial, uma vez que o terrorismo é sobretudo uma forma de crime organizado” (Oeter, 2006: 233-234). O que de modo nenhum significa que as forças militares não possam intervir de forma transitória em cenários de conflito armado aberto e indiscriminado (ex. Iraque). Mas o núcleo duro da resposta ao terrorismo “deve ser dada pelo direito e não através de declarações de guerra” (Booth, 2007: 436).
A tentativa sistemática de dar ao terrorismo respostas exclusivamente militares, no âmbito de uma abordagem unidimensional, segundo a qual a violência se combate apenas pela violência, não tem resolvido o problema, mesmo que tenha ocasionalmente atenuado as suas manifestações, quando este assumia ainda um carácter raro e disperso. Na actualidade, porém, esta lógica maioritariamente militar tem grande dificuldade em atenuar tensões e rivalidades quando estas redes operam e têm impacto à escala global, inclusive nas nossas cidades, paradigma de desenvolvimento e bem-estar, quando comparadas com o rendimento per capita em muitos Estados frágeis de África, da Ásia, da América do Sul ou do Médio Oriente.
Os problemas básicos de determinados países em situação de crise político-social e económica não são resolvidos com estratégias essencialmente «musculadas», veja-se o problema do cultivo de ópio no Afeganistão e o facto do tráfico de heroína ter aumento exponencialmente desde a intervenção internacional naquele território. De igual modo, as questões ligadas aos direitos, liberdades e garantias das mulheres, os problemas básicos da educação, da cultura, da economia, da corrupção e tráfico de influências no governo central e governos regionais no Afeganistão.
A este combate unidimensional de algumas formas de terrorismo não estarão alheios grupos de interesses ligados a complexos militares-industriais e governos com interesses geo-estratégicos que preferem apenas o uso da violência directa para consolidar os seus interesses hegemónicos (Simões, 2004: 511).
A comunidade internacional pode estar a ser vítima de uma estratégia esquizofrénica de luta contra o terrorismo, apostando apenas no curto prazo, não se preocupando com os efeitos em gerações futuras e com o ódio que se vai enraizando em algumas sociedades contra um ocidente rico, tecnológico, egoísta e cada vez mais distante de abordagens multilaterais, multi-nível e solidárias.
Finalmente, combater o terrorismo pressupõe um trabalho profícuo de investigação criminal e de informações de segurança e policiais, de forma a levar os suspeitos a tribunal. A técnica do olho-por-olho-dente-por-dente de eliminação de terroristas representa um retrocesso civilizacional...
E no dia que estas acções forem levadas a cabo para assassinar adversários políticos «a coberto» de missões anti-terroristas??

FF

quarta-feira, 22 de junho de 2011

PORQUE É QUE A PSP TEVE DE IR AJUDAR A GNR AO BAIRRO DO TORRÃO - TRAFARIA?


Tenho andado a pensar nesta questão e confesso-me parcialmente perdido, mas... não se deixa um camarada ou colega (chamem-lhe o que quiserem) em apuros e se a GNR pediu ajuda, só tem que se presumir que precisam mesmo dela e depressa.

Essa parte da questão está resolvida. Parece-me muito bem que a PSP ajude os militares da GNR, mal seria se um dia um polícia virasse a cara a uma situação dessas.

O problema não é esse. Confunde-me, tanta unidade de intervenção, tanta cavalaria, tanto GIPS, tanto blindado, tanta metralhadora, tanta "guerra é guerra", tanta lancha para brincar às marinhas, tanto penacho, tanta vontade de ficar com o que é dos outros, mas... não ter para o que deveria de ser o primeiro interesse.

No dia seguinte, claro! Estavam lá câmaras de televisão, estava lá a Unidade de Intervenção (as sobras de Timor, Afeganistão, etc...).

Mas quando foi preciso, quem estava lá ombro com ombro: os desgraçados do posto territorial da GNR e 40 da PSP de Almada.

E isto não aconteceu só ali. Acontece  muitas vezes em muitos outros locais.

Não há gente suficiente nos postos territoriais... em parte alguma...os GNR que fazem falta serão os que fazem jogging junto ao rio Tejo ou os que atrapalham o trânsito a cavalo no Parque das Nações? Serão os que bocejam à espera da época de fogos ou os que jogam cartas e bebem em Timor?
Não sei, mas isto parece andar mal distribuido. Parece que são mais de 8 mil só em Lisboa, é assim?! Será verdade???

Chiça! O Comando Metropolitano da PSP de Lisboa tem cerca de 7 mil, onde anda tanta gente da GNR? Que fazem?

Não farão falta no interior, em Trás-os-Montes, Alentejo e no amedrontado Algarve?

Parabéns camaradas da PSP de Almada. Que nunca vos falte esse ânimo, espirito de missão e camaradagem, entre vós e com os militares. Eles precisam de saber que podem contar com alguém e é bom saber que podem contar convosco!

SIC / YouTube: CONFRONTOS NO BAIRRO DO TORRÃO NA TRAFARIA EM ALMADA

TL

PS: Foi impressão minha, ou deixou de se falar rapidamente da ajuda que a PSP deu aos militares?

PSP EXECUTA EXERCÍCIO TÁCTICO SIMULANDO SEQUESTRO DE AERONAVE CIVIL


A agência LUSA noticiou:

«Lisboa, 22 jun (Lusa) -- O aeroporto de Lisboa foi esta noite palco de um "resgate de reféns" de uma aeronave sequestrada, no âmbito de um exercício tático-policial, organizado pela Unidade Especial de Polícia.
O simulacro, que durou cerca de três horas, pretendeu simular o sequestro e desvio de aeronave para o Aeroporto de Lisboa, obrigando a um processo de negociação com o sequestrador para libertar os reféns.
No palco das operações estiveram cerca de uma centena de agentes, entre os quais elementos do Comando Metropolitano de Lisboa (COMETLIS), da Unidade Especial de Polícia e elementos do Grupo de Operações Especiais de Macau, em Portugal no âmbito da cooperação entre Lisboa e a atual Região Administrativa Especial Chinesa.»

Este exercício revela apenas uma pequena parte do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Polícia desde que tem competências em matéria de segurança aeroportuária (há mais de 60 anos) e está munida dos meios operacionais adequados a resolver qualquer tipo de situação que se lhe depare.

A resolução do incidente simulado não envolveu apenas as unidades de intervenção da UEP - Unidade Especial de Polícia (GOE, CI, CIEXSS, GOC), mas todo um conjunto articulado de entidades do Comando Metropolitano de Lisboa, nomeadamente, a Divisão de Segurança Aeroportuária e a Divisão de Trânsito de Lisboa, todas juntas sob uma mesma doutrina, protocolos de actuação e unidade de comando.

O simulacro revela a intervenção táctica coordenando todas as valências e unidades envolvidas, mas não revela a face verdadeira mas invisível da segurança aeroportuária: trata-se do trabalho mais importante, desenvolvido diariamente desde os anos 40 do século passado, por polícias da PSP com formação especializada, que fazem controlo de acessos, vigilância de pessoas, de locais e de bens, que procedem a vistorias de segurança em instalações e aeronaves, que mais recentemente passaram a exercer uma actividade de coordenação e de controlo sobre a acção das empresas de segurança privada que operam nas instalações aeroportuárias e, enfim, proporcionam a segurança a milhões de passageiros nacionais e estrangeiros em todos os aeroportos internacionais de Portugal.

Como disse DS: não se mexe no que está bem!

Não se criam conflitos onde antes não existiam!

Não se duplicam funções, nem se caçam competências alheias!

Sobretudo, não se pode querer o que os outros fazem bem apenas por vaidade ou inveja, especialmente, quando se tem a casa toda desarrumada e muita gente desocupada, havendo tanto que fazer!

Diário de Notícias com vídeo: PSP "liberta reféns" de avião no aeroporto de Lisboa

RP