Nunca te esqueças de quem és!
Olha-te ao espelho todos os dias e reconhece na tua cara a justiça, a serenidade e a coragem. Na rua, levanta a cabeça com orgulho. Ainda que mais ninguém saiba, estarás lá para nos proteger a todos e, quando necessário, agirás, sem hesitação.
Nunca te esqueças de quem és porque, no dia seguinte, terás de olhar novamente o espelho e continuar a reconhecer na tua própria cara, a justiça, a serenidade e a coragem.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A Polícia, o seu orçamento e a responsabilidade pela crise

Anda muita gente preocupada com a irracionalidade das forças de segurança, com o despesismo das Polícias. Parece que as forças de segurança são as novas responsáveis pela crise.

As notícias sobre as graduações e recrutamentos excepcionais na PSP criaram o cenário ideal para que a opinião pública pensasse que a Polícia estava na vanguarda da sem-vergonhice, contribuindo para o lamaçal onde nos encontramos todos.

Mas, na verdade, a PSP tem vivido ao longo dos anos numa permanente, continua e progressiva desorçamentação em face de um exagero orçamental noutras estruturas do Estado, que só se podem justificar pela criação de novas organizações supérfluas e pelo crescimento de outros organismos de forma desmesurada e impossível de justificar.

A forma como Empresas Públicas (que para além do orçamento têm pouco de público), Institutos, Parcerias Público-Privadas e outras monstruosidades inqualificáveis consomem o orçamento construído com os impostos que cada um dos cidadãos portugueses paga, revela falta de orientação da política económica, mas especialmente, um profundo desprezo pelas funções do Estado e pelo dinheiro dos contribuintes.

Naturalmente, ninguém será responsabilizado e todos teremos de contribuir com a hipoteca do nosso presente e do futuro das gerações vindouras, para remendar esta inconvertível desgraça.

Quanto à PSP diga-se em abono da verdade que deve ser a organização mais racional que o Estado português tem, conseguindo diariamente fazer milagres na gestão de recursos cada vez mais escassos. Nem mesmo nos anos em que decorreram eventos de extraordinária relevância internacional, cuja segurança esteve a cargo da PSP, houve uma verdadeira atenção para as necessidades operacionais e orçamentais desta força de segurança.

A disparidade orçamental entre a PSP e qualquer outra organização de dimensão comparável é um escândalo nacional.

O ORÇAMENTO PER CAPITA DA INSPECÇÃO-GERAL AMBIENTE E ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO É QUASE 80% SUPERIOR AO DA PSP, E O DA INSPECÇÃO-GERAL DE FINANÇAS É MAIS DO DOBRO.

Entre 2001 e 2010, a parcela de despesas do Estado dedicada às Forças de Segurança (essencialmente PSP e GNR) cresceu apenas 28% em termos nominais, valor que praticamente se anula ao ser conjugado com o IPC (Índice dos Preços do Consumidor Médio) nessa década.

No mesmo período, o crescimento das despesas com as Forças Armadas foi de cerca de 80% e com os Serviços Gerais da Administração Pública (Supremo Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Presidência da República...), mais de 50%.

O ORÇAMENTO DE ORGANISMOS QUE EXERCEM ACTIVIDADE COLATERAIS DE APOIO MINISTERIAL, ESTUDOS E PLANEAMENTO DE ADMINISTRAÇÃO E REGULAMENTAÇÃO NA ÁREA DA SEGURANÇA E ORDEM PÚBLICA, CRESCEU QUASE 800% ! ! !

Para que os nossos leitores saibam, em 2011, A PSP JÁ INICIOU O ANO EM SITUAÇÃO DE DESORÇAMENTAÇÃO, COM UM ORÇAMENTO PER CAPITA DE 26.996 EUROS, CONTRA OS 31.319 EUROS DA GNR, OS 44.807 EUROS DA PJ E OS 53.813 EUROS DO SEF.

É simples de ver como se trata a organização central da segurança interna em Portugal que, não haja dúvidas, é a PSP.

A DIFERENÇA É AINDA MAIS FLAGRANTE, SE ANALISARMOS AS DESPESAS COM CONSUMOS INTERMÉDIOS, EM QUE A VERBA ORÇAMENTADA EM 2011 PARA A PSP É SETE VEZES INFERIOR À DO SEF E CERCA DE UM QUARTO DO DA PJ.

Estas assimetrias não têm explicação. A PSP detém meios e infra-estruturas de maior envergadura e, consequentemente, bem mais onerosas e exigentes do ponto de vista logístico.

Para melhor se perceber a asfixia financeira da PSP, atente-se que OS GASTOS DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA EM 2010, COM A AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS, FORAM QUASE METADE DOS PRATICADOS POR UMA INSTITUIÇÃO COM A DIMENSÃO E IMPLANTAÇÃO TERRITORIAL DA PSP, que gere um efectivo superior a 23.000 profissionais policiais e não policiais e um dispositivo de 425 Esquadras, 57 Divisões Policiais e 20 Comandos, para além da Unidade Especial de Polícia, Estabelecimentos de Ensino e Direcção Nacional.

NO QUE CONCERNE AO ORÇAMENTO GLOBAL PARA INVESTIMENTO, INCLUINDO INVESTIMENTOS DO PLANO, À PSP FOI ATRIBUÍDO EM 2011, UM VALOR PER CAPITA SESSENTA VEZES INFERIOR AO DA PJ, CINQUENTA VEZES INFERIOR AO DO SEF E QUASE UM SEXTO DA VERBA DA GNR.

Por último, num momento em que se fala da necessidade de reduzir os cargos dirigentes da Administração Pública, importa relembrar que A PSP TEM UM RATIO DE 1 DIRIGENTE PARA 283 FUNCIONÁRIOS, sendo que o recente estudo da UTAO - Unidade Técnica de Apoio Orçamental, revelou que A MÉDIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PORTUGUESA É DE 1 PARA 45, havendo no próprio MAI um organismo com funções policiais, o SEF CUJO RATIO É DE 1 PARA 38.

Ainda acha que a PSP é irracional e está a depauperar o Estado e a enganar o contribuinte ? ? ?

DS / CC

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Criminalidade no interior de Portugal

O jornal O Público noticiou no dia 27 de Setembro de 2011, que a “Criminalidade grave e violenta está a alastrar aos distritos do interior do país”.

Os dados nacionais apontam uma tendência para a diminuição ligeira da criminalidade violenta. Isto significa que se verifica uma tendência para a transferência de fenómenos criminais das zonas urbanas para as zonas rurais, destacando-se distritos como Bragança, Portalegre e Vila Real.

A notícia assiná-la que o isolamento das populações também potencia o crime.

Todavia, não chega a explorar as causas desse isolamento, sobretudo no que respeita à ausência de policiamento.

De acordo com o Público: “O facto de a violência estar a alastrar a distritos por norma pacatos ou sem grande expressão no mapa geral da criminalidade é explicado, de acordo com observadores policiais contactados pelo Público, com "a tendência, normal, de deslocamento de algumas pessoas [criminosos] para áreas onde pensam estar menos expostos à acção da polícia"

Continua a notícia afirmando-se que “O isolamento das populações, por norma envelhecidas, também potencia o alastramento da criminalidade (grave ou não) para zonas interiores. "Muitas pessoas que vivem na província tornam-se alvos fáceis, seja de ladrões que surgem durante a noite, seja de burlões ou de passadores de moeda falsa. Os criminosos estão a beneficiar do encerramento de muitos postos da GNR e esquadras da polícia", explicou um oficial da PSP.”

Esta afirmação sem dono ou é falsa, ou foi mal interpretada pelo Público, ou o seu autor é irresponsável e ignorante.

Na verdade, a proliferação de instalações tende a reduzir os efectivos disponíveis para o policiamento, pelo que, quanto mais Esquadras e Postos, menos Polícias e Guardas a patrulhar, porque é preciso garantir o atendimento, a segurança das instalações e algumas actividades administrativas permanentes. Quem executa estas tarefas não está disponível para o serviço de patrulha.

O Público continua: “As zonas raianas são, por outro lado, propícias a outro tipo de crimes potencialmente violentos. É nessas áreas que se verificam, todos os anos, os maiores roubos de explosivos em pedreiras e onde se detectam igualmente inúmeras ocorrências resultantes de tiroteios. "O uso de armas em determinadas zonas, sobretudo em Trás-os-Montes ou na Beira Alta, é quase uma situação cultural. Toda a gente, sobretudo os mais velhos, têm armas [sobretudo caçadeiras]. Isto explica-se pela necessidade de defesa, uma vez que muitas destas pessoas estão muito tempo isoladas, mas também funciona um pouco como um princípio de afirmação - a posse de uma arma pode ser vista como um sinal de poder", refere a mesma fonte, lembrando casos recentes em que até um padre foi encontrado na posse de diverso armamento ilegal.

Em regiões como, por exemplo, a da Guarda é comum o crime de rapto de pessoas. As vítimas são quase sempre indigentes que acabam por ser enganados e levados para explorações agrícolas em Espanha, onde são escravizadas, sofrendo maus tratos físicos e psicológicos, para além de não receberem nada pelo trabalho prestado.”

Nada de novo.

A novela da insegurança no Algarve em 2010 e 2011 passou-se toda no cenário rural, onde a GNR tem responsabilidades, embora tenha havido o cuidado político de distribuir a responsabilidade por todos (na área da PSP de Faro a criminalidade até baixou!).

O dispositivo das forças de segurança é irracional e dirige os recursos para tarefas desnecessárias.

É imperioso que o número e localização de Esquadras e Postos seja revisto para que seja reduzido, mas antes disso, se houver vontade de devolver a segurança às zonas do interior do país, tem de se obrigar a GNR a empenhar-se em fazer o policiamento que lhe cabe.

Não é possível permitir que uma força de segurança que continua a ter a responsabilidade de policiar perto de 90% do território nacional mantenha 1/3 do seu efectivo em Lisboa (mais de 8.000 efectivos), área policiada de forma competente e eficiente por outra força de segurança.

De acordo com o Balanço Social da GNR de 2010, “a área sob responsabilidade da Guarda é actualmente de cerca de 94% do território nacional (86.597.4 Km2), na qual residem cerca de 53,8% da população (5.756.027).” (p. 36)

Por outro lado, é incompreensível que se tolere à GNR a continua depredação de competências alheias, a constituição de novas e dispendiosas unidades especiais e de reserva e a manutenção de enormes contingentes em missões internacionais, quando não se garante o cumprimento da sua principal competência: a de policiar esses 90% do território nacional, prevenir a criminalidade e dar segurança a esses 50% da população.

Também não se compreende a irracionalidade do dispositivo territorial da GNR que, tendo tanta área e população para policiar insiste, com o beneplácito do Governo, a instalar as suas unidades nas povoações a cargo da PSP – a PSP não tem uma única unidade operacional sediada na área da GNR, a GNR tem unidades operacionais em todas as áreas sob a responsabilidade da PSP. Será racional? Foi pensado para benefício da população?

A melhoria da segurança das povoações do interior de Portugal passa por:

1 – Reduzir e/ou eliminar unidades especiais e de reserva da GNR, tornando os efectivos aquartelados (em unidades especiais e de reserva e a exercer “competências especiais”) em pessoal disponível para o policiamento

2 – Reverter todas as situações em que a GNR duplica funções e competências de outras polícias “em terra, mar e ar”

3 – Reduzir os 8.000 efectivos da GNR em Lisboa para o mínimo indispensável às tarefas de comando e ligação com a tutela, enviando os restantes para funções operacionais na sua área de jurisdição

4 – Eliminar todas as instalações supérfluas da GNR que se encontrem no interior das zonas policiadas pela PSP, redistribuindo os seus efectivos pelas suas áreas de responsabilidade e sediando as suas instalações apenas nesses locais

5 – Vender ou arrendar o património que se tornar disponível e para o qual o Estado não tenha uma utilidade imediata

6 – Reduzir os escalões de comando da Guarda

Se a GNR se dedicar ao que realmente fundamenta a sua existência, o interior do país será um paraíso de segurança e não precisará, tão pouco, de ter os cerca de 24.000 militares que compõem o seu efectivo, podendo, com menos homens, policiar com excelência, de forma mais barata para os contribuintes portugueses e pagando melhor aos que executam esse policiamento.

CC


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A Polícia em democracia e o caso (muito) particular da Madeira

No dia 28 de Setembro de 2011, um grupo de militantes do PND invadiu as instalações do Jornal da Madeira e barricando-se nas zonas de acesso à redacção.

Os protagonistas desta acção, que se situa algures entre o exercício de uma liberdade democrática por legítimos candidatos às eleições regionais, um desrespeito pela constituição e pelo exercício da liberdade democrática, uma imensa madeirada digna de ter sido cometida por um qualquer Alberto ou um crime de introdução em local vedado ao público, foram os senhores Helder Spínola, António Fontes, João Welsh, Gil Canha e Dionísio Andra, os quais forçaram a entrada, levando à intervenção da PSP.

O Sr. João Welsh foi o que, há algumas semanas, se pôs aos berros na cerimónia da Câmara do Funchal e que levou a que dois oficiais de polícia lhe tentassem ensinar o que significa educação e bom-senso em espaço democrático e que foram amplamente enxovalhados por terem demonstrado serem os únicos com consciência do que são os valores democráticos, mas acima de tudo, do que é a civilidade e educação.

 Se pensávamos que o Sr. Alberto João Jardim era o único a comportar-se como “toda a gente já sabe!”, desenganemo-nos: a Madeira é melhor que o Entroncamento!!!

Em vez de cabras com cinco cornos ou abóboras de 298 quilos, temos a política regional recheada de uma boa mancheia de personagens saídas de uma comédia satírica em que uns são a imagem amplamente retorcida dos outros e o objectivo é fazer da política um eterno desfile de carnaval.

Ora se já tínhamos o Sr. Alberto João Jardim, passámos a ter outros iguais como o Sr. João Welsh ou o famoso José Manuel Coelho o qual, por “solidariedade” decidiu aproveitar a invasão do Jornal da Madeira para roubar o protagonismo que os seus adversários do PND estavam a ter, colocando-se, qual vendedor ambulante, em frente ao edifício ocupado.

O que é que isto nos interessa?

Dizem em certa altura os senhores do PND que o Sr. Alberto João Jardim, teria dado ORDENS à Polícia para retirar os manifestantes de dentro das instalações do Jornal, mas que, como as instalações são da Diocese do Funchal, o Bispo teria dado ORDENS à Polícia para não retirar os manifestantes de dentro das instalações do Jornal.

Ora, é preciso dizer as estes “democratas” que a Polícia tem por missão assegurar a legalidade democrática, garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos, nos termos da Constituição e da lei e não precisa nem depende das ORDENS de ninguém para fazer o que a lei determina.

É importante que os portugueses percebam que a Polícia é uma organização que se quer independente e, de preferência longe destas vergonhas, destes políticos e desta falta de cultura democrática.

As pessoas que hoje acusam o Sr. Alberto João Jardim de querer manipular a conduta legal e funcional da Polícia, são os mesmos que no seu lugar, o vão tentar fazer, simplesmente porque não compreendem e não aceitam que uma organização como a Polícia exista e funcione para além da sua vontade e dos seus interesses e em prol da legalidade democrática e da garantia da segurança e da protecção dos demais direitos dos cidadãos.

Independentemente das razões que possam assistir a estes candidatos, em democracia existem limites (até na campanha eleitoral!) e, na Madeira, parece que só a Polícia tem demonstrado conhecê-los.

Deseja-se que os polícias da Madeira se mantenham firmes nos valores que enformam a sua missão, não alinhem nas palhaçadas do circo político madeirense e tenham muita, mas muita paciência para aturarem o permanente carnaval que aí se vive.

RS


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Descubra as diferenças...

Concorrer à escola prática da GNR exige 9.º ano de escolaridade
Concorrer à escola prática da PSP exige o 12.º ano de escolaridade

GNR - inicia carreira de guarda com 790€
PSP - inicia carreira de agente com 790€

GNR - a carreira de praças evolui até 1500€
PSP - a carreira de agentes evolui até 1400€

Um Aspirante da GNR ganha 892€
Um Aspirante da PSP ganha 837€

O facto do Estado português pagar melhor à GNR está por explicar mas não parece ser justificável, apesar de ser um facto.

O serviço nas grandes cidades e nas zonas densamente povoadas é comprovadamente mais arriscado e penoso. Também é aí que o custo de vida é mais caro e isso reflecte-se, em especial a aquisição ou arrendamento de habitação. Não, os agentes da PSP não têm direito a habitação ou alojamento por conta do Estado e não existem na PSP estruturas capazes de imitar os aquartelamentos da GNR.

Em Espanha a Polícia Nacional paga mais ao seu pessoal que trabalha nas grandes cidades como Madrid ou Barcelona.

Qual será o critério em Portugal?

CC

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Estado da Nação


Há uns tempos atrás, um “passarinho” contou-me, a GNR organizou, em parceria com a Academia Militar, um Seminário subordinado ao tema “ O contributo de Portugal na construção de uma Nação – Timor-Leste”. (Bom, se não era assim deveria andar lá muito próximo).

Nesse Seminário esteve Sua Ex.ª o Ministro da Defesa, o Bispo D. Ximenes Belo, a Embaixadora Natália Carrascalão, e um sem número de entidades convidadas, bem como oradores de diferentes quadrantes.

A plateia era constituída, essencialmente, pelos alunos da Academia Militar.

Segundo parece, e penso que estes seminários são gravados pelo que se pode confirmar, foi um “desfilar de vaidades”… GNR fez! GNR faz! GNR aconteceu! GNR voltou a acontecer!

Os militares (2.º, 3.º e 4.º ramo da GNR) lá fizeram uma “perninha” para não parecer mal…

Em suma, o Seminário era o “contributo de Portugal (leia-se GNR) na construção de uma Nação - Timor-Leste”. A GNR assumiu-se, perante uma série de miúdos em formação, e demais convidados, como “o Estado Português em Timor-Leste”.

Segundo me contaram, nem uma palavra sobre os professores, os polícias, diferentes contratados portugueses que contribuem para o desenvolvimento, a igreja, etc, etc…. ..apenas, e tão só, a GNR! Um Estado dentro do Estado!

Mas o mais grave estaria para vir, segundo esse “passarinho”:

 - Um determinado Oficial da GNR, orador e organizador do evento, (cujo nome não me revelaram, mas que não deve ser difícil de descobrir), falando pela GNR, salientou as palavras do Exm.º Ministro da Defesa, dizendo que Timor-Leste era um Estado Soberano e que, nessa qualidade, já que entendia que o modelo policial a adoptar para aquele país era o da GNR, o Estado Português, assim como outros estados que tentam “impingir” modelos policiais a Timor (referia-se à Austrália e outros), não se deveria imiscuir nas decisões daquele Estado Soberano!

Pasme-se a qualidade do estadista que se substitui aos interesses de Portugal em prol dos interesses da GNR!!!

Salienta-se, no entanto, que este “estadista” referiu que era apenas uma opinião pessoal.

Resta agora saber, sendo a GNR uma força tão disciplinada e disciplinadora, o que aconteceu ao “estadista” que, fardado de GNR, em nome da GNR, e num Seminário organizado por esta, proferiu tais afirmações.



Esta conversa surgiu, porque este “passarinho”, que é um civilóide, me perguntava se era possível esta “liberdade de opinião” na GNR.



Ao que eu respondi que a GNR, embora uma força de características militares, era muito moderna e “prá frentex”, contrariamente à PSP…

… se fosse um PSP a fazer semelhantes afirmações só poderia estar, neste momento, a recorrer duma pena disciplinar de suspensão ou de aposentação compulsiva…



É o Estado da Nação!!!!


AF

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Promoções na GNR em 2011

Como toda a gente sabe as progressões / promoções nas forças e serviços de segurança e nas forças armadas estão congeladas.
A GNR e as forças armadas têm sempre afirmado que não têm feito quaisquer promoções desde 2010.
Fomos saber se era verdade e, pasme-se, descobrimos que não é assim em nenhum dos casos!
Fomos mais longe e descobrimos que, confrontados com a verdade, estes militares, justificam-se facilmente: “São promoções atrasadas” e “Já estavam cabimentadas”… pois… Na Polícia também existe muita coisa atrasada e mesmo cabimentada sem qualquer solução.
O certo é que, foi precisamente porque a Polícia não pôde promover, que teve de se fazer recurso a graduações e recrutamentos excepcionais – uma prática legal e comum em toda a administração, quando é preciso deslocar e obrigar alguém a desempenhar funções que estão acima das da sua categoria. Acontece em serviços públicos, câmaras municipais, governo da república e governos regionais, etc, etc… parece que só na Polícia é que isso não pode acontecer.
Os recrutamentos excepcionais e graduações na PSP não foram só de Oficiais, como algumas estruturas sindicais quiseram fazer passar, também estavam cabimentados e toda a gente sabe que começaram a cair umas atrás das outras. Foram uma necessidade, considerando a impossibilidade de promover.
Deixar caducar as graduações e os recrutamentos excepcionais significa que o pessoal que se encontrava deslocado (alguns a centenas de quilómetros da sua residência habitual) a desempenhar funções acima da sua categoria (o que significa responsabilidades acrescidas), agora tem o prejuízo da distância, mais a obrigação de manter um empenhamento acima do que seria expectável, sem qualquer compensação.
Ora a GNR não precisou de ir tão longe porquê?
Em primeiro lugar porque continua a promover o seu pessoal através do critério tempo, ou seja: Já tens X anos de Major? Então agora és Tenente-coronel!
O que está no Estatuto da GNR não está a ser aplicado, nem de perto, nem de longe.
Na Polícia é assim? Não!
Na Polícia, há já muito tempo, o período de permanência numa determinada categoria é um critério referencial, ou seja, quem tem o “tempo” mínimo de permanência em determinada categoria pode estar apto a concorrer, mas não tem qualquer garantia de ser promovido.
A “antiguidade” deixou há muito de ser um critério decisivo para a progressão na carreira.
Na Polícia tem de se abrir um concurso para a promoção com um prazo de validade limitado, constituir um júri, estabelecer critérios preferenciais, apreciar a disciplina, as avaliações e os currículos dos candidatos, seguir todos os passos que o Código de Procedimento Administrativo determina... Invariavelmente existem recursos e impugnações e a coisa arrasta-se.
Isso não seria mau se na PSP se aplicasse a maravilhosa regra que se aplica na GNR.
Aparentemente, também o conceito de “abertura de vaga” na GNR é diferente do da PSP.
Verificámos que na PSP as datas das promoções eram sempre posteriores a todo o calvário que os procedimentos dos concursos representam.
Imaginemos que um concurso era aberto em 2008 e só se concluía em 2010, pois é em 2010 que vai começar a contar o tempo para uma eventual próxima promoção.
Na GNR não. Verificámos que existe muita gente na GNR que é promovida em 2011 com efeitos a 2008. Isto só pode significar que os efeitos da promoção se estão a reportar ao momento em que os militares ficaram “prontos” a ser promovidos e não à data da conclusão dos procedimentos concursais.
Ora, como os concursos de promoção na GNR só existem na Lei e a GNR só aplica as leis que lhe convêm, continua toda a gente a ser promovido por antiguidade, sob a capa invisível do estatuto de pessoal.
Só isto justifica a velocidade com que as promoções na GNR ocorrem e a forma como os militares recrutados no mesmo ano que os polícias, por norma, têm categorias superiores aos seus congéneres.
Ora as promoções na GNR durante o ano de 2011 foram tantas, em tantas categorias que apenas colocaremos aqui algumas referências aos Diários da República em que as poderão encontrar.
Não garantimos que as tenhamos encontrado todas.
É curioso perceber que não há praticamente promoções que não tenham enormes efeitos retroactivos e isso também se explica pela lógica da antiguidade. Esses retroactivos não se limitam aos efeitos temporais da promoção, significam também dinheiro, muito dinheiro.
Os promovidos terão certamente merecido chegar às novas categorias, sendo legítimas as suas expectativas de carreira, mas a lógica é tão retorcida que implica, que cheguem a existir militares na reserva a ser promovidos com retroactivos, enquanto milhares de polícias no activo, que também têm expectativas legítimas, continuam a marcar passo.
Aqui vai:
Diário da República, 2.ª série, n.º 40, de 25 de Fevereiro de 2011
·         Aviso n.º 5658/2011: Promoção ao posto de coronel de 5 Tenentes-coronéis
·         Aviso n.º 5659/2011: Promoção ao posto de capitão de 1 Tenente
·         Aviso n.º 5660/2011: Promoção ao posto de cabo-chefe de 1 Cabo
·         Aviso n.º 5661/2011: Promoção ao posto de cabo, de 1 Guarda
·         Aviso n.º 5662/2011: Promoção ao posto de cabo-chefe, de 1 Cabo
·         Aviso n.º 5663/2011: Promoção ao posto de coronel, de 1 Tenente-coronel
·         Aviso n.º 5664/2011: Promoção ao posto de major, de 1 Capitão
·         Aviso n.º 5665/2011: Promovidos ao posto de Cabo, 229 Guardas
Diário da República, 2.ª série, n.º 60, de 25 de Março de 2011
·         Aviso n.º 7493/2011: Promoção ao posto de segundo-sargento de 1 Cabo
·         Aviso n.º 7494/2011: Promoção ao posto de sargento-ajudante de um 1.º Sargento
·         Aviso n.º 7495/2011: Promoção ao posto de sargento-ajudante de um 1.º Sargento
·         Aviso n.º 7496/2011: Promoção ao posto de 1.º sargento de um 2.º Sargento
·         Aviso n.º 7497/2011: Promoção ao posto de sargento-ajudante de um 1.º Sargento
·         Aviso n.º 7498/2011: Promoção ao posto de segundo-sargento de 111 Furriéis
·         Aviso n.º 7499/2011: Promoção ao posto de sargento-ajudante de um 1.º Sargento
·         Aviso n.º 7500/2011: Promoção ao posto de sargento-ajudante de um 1.º Sargento
·         Aviso n.º 7501/2011: Promoção ao posto de sargento-mor de 25 Sargentos-Chefes
·         Aviso n.º 7502/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7503/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7504/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda 
·         Aviso n.º 7505/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7506/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7507/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7508/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7509/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7510/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7511/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7512/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7513/2011: Promoção ao posto de cabo-chefe de 154 Cabos
·         Aviso n.º 7514/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7515/2011: Promoção ao posto de cabo-mor de 402 Cabos-Chefe
·         Aviso n.º 7516/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7517/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7518/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7519/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7520/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7521/2011: Promoção ao posto de cabo-chefe de 125 Cabos
·         Aviso n.º 7522/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7523/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7524/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7525/2011: Promoção ao posto de cabo-chefe de 195 Cabos
·         Aviso n.º 7526/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7527/2011: Promoção ao posto de cabo-chefe de 3 Cabos
·         Aviso n.º 7528/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7529/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
·         Aviso n.º 7530/2011: Promoção ao posto de cabo de 1 Guarda
Diário da República, 2.ª série, n.º 61, de 28 de Março de 2011
·         Aviso n.º 7676/2011: Promoção ao posto de sargento-chefe de 1 Sargento-Ajudante
Diário da República, 2.ª série, n.º 64, de 31 de Março de 2011
·         Aviso n.º 7999/2011: Promoção ao posto de tenente-coronel de 8 majores
·         Aviso n.º 8000/2011: Promoção ao posto de sargento-chefe de 51 sargentos-ajudantes
Diário da República, 2.ª série, n.º 98, de 20 de Maio de 2011
·         Aviso n.º 11245/2011: Promoção ao posto de major de 20 capitães
·         Aviso n.º 11246/2011: Promoção ao posto de major de 7 capitães
·         Aviso n.º 11247/2011: Promoção ao posto de capitão de 49 tenentes
·         Aviso n.º 11248/2011: Promoção ao posto de tenente-coronel de 14 majores
·         Aviso n.º 11249/2011: Promoção ao posto de capitão de 25 tenentes
·         Aviso n.º 11250/2011: Promoção ao posto de tenente de 36 alferes
·         Aviso n.º 11251/2011: Promoção ao posto de capitão de 1 tenente

Contas feitas e se não cometemos nenhum erro, encontrámos em cinco Diários da República do primeiro semestre de 2011, 6 novos coronéis, 22 novos tenentes-coronéis, 28 novos majores, 76 novos capitães, 36 novos tenentes, 52 novos sargentos-chefes, 25 novos sargentos-mor, 6 novos sargentos-ajudantes, 1 novo 1.º sargento, 112 novos 2.º sargentos, 479 novos cabos-chefes, 402 novos cabos-mor, 254 novos cabos.
Gostaríamos de saber que impacto orçamental tiveram estas promoções no orçamento da GNR e, consequentemente, no do Ministério da Administração Interna.
Será que o pessoal da GNR se pode queixar tanto como se queixa, da falta de dinheiro e do baixo orçamento que tem disponível?
Uma nota final vai também para a Polícia Judiciária (PJ) que, recentemente promoveu 30 Inspectores a 30 inspectores-chefes (Diário da República, 2.ª série, n.º 153, de 10 de Agosto de 2011).
Sem mais comentários.
DS

sábado, 13 de agosto de 2011

COMPETIÇÕES







Aqui há uns tempos (entre 5 e 10 de Junho) a PSP (GOE), uma vez que está integrada no Grupo Atlas, recebeu um convite para participar numas “olimpíadas” de “operações especiais” que decorreu na Alemanha, o “Combat Team Conference”.

A GNR (COE) recebeu o mesmo convite.

Estiveram envolvidas cerca de 50 equipas de diversos países do mundo (a elite das operações especiais), incluindo a equipa da UEP/GOE da PSP. Curiosamente a GNR “alegou” enormes “afazeres” para não participar.



Resultado final – a equipa da PSP ficou em 22.º lugar da geral e em 3.º no exercício de libertação de reféns ( resolução de um incidente táctico/policial com sequestro de reféns).



Passados uns dias, em 16 de Junho, a UEP promoveu a 2.ª competição Táctica de Equipas, em que se idealizou um conjunto de exercícios tácticos de competição destinados a forças especiais nacionais.

Foram endereçados convites a todas as Unidades Especiais (militares ou não) nacionais e a GNR (COE) recebeu o mesmo convite.

Estiveram envolvidas 5 Unidades Especiais nacionais e uma de Macau, incluindo a UEP com 7 equipas das suas subunidades operacionais (GOE/CSP/CI/CIEXSS/GOC). Curiosamente a GNR “alegou” enormes “afazeres” para não participar.



Resultado final – as equipas da PSP/UEP ficaram nos 6 primeiros lugares, seguidos do CTOE (Lamego). 

  

Passados uns tempos, não me recordo da data, a Marinha, se eu não me engano, organizou uma competição para binómios cinotécnicos, designada “Kanicross”, onde idealizou um conjunto de exercícios de obediência e mestria para serem realizados pelos binómios homem/cão e destinados a todas as forças (militares  ou não) que tivessem especialidade cinotécnica.

Foram endereçados convites a todas as Unidades nacionais com aquela especialidade e a GNR (GOC) recebeu o mesmo convite.

Curiosamente a GNR aceitou o convite pois estava crente que os cães que cheiram DVD’s falsos iriam ser uma mais valia…



Resultado final – as equipas da PSP/UEP ficaram com os 1.ºs lugares



Em conclusão: É melhor tirarem os leitores esta…..


AF