Nunca te esqueças de quem és!
Olha-te ao espelho todos os dias e reconhece na tua cara a justiça, a serenidade e a coragem. Na rua, levanta a cabeça com orgulho. Ainda que mais ninguém saiba, estarás lá para nos proteger a todos e, quando necessário, agirás, sem hesitação.
Nunca te esqueças de quem és porque, no dia seguinte, terás de olhar novamente o espelho e continuar a reconhecer na tua própria cara, a justiça, a serenidade e a coragem.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A Gaveta do Ministério

No dia 2 de agosto de 2012, Manuel Catarino, subdiretor do Correio da Manhã, dedicou-se a uma matéria na qual, como em tantas outras, é especialista. Deu à sua coluna o título «Unidades especiais».

Escreveu Manuel Catarino, fazendo certamente uso de informação de caráter priviligiadíssimo da qual (como é habitual) se desconhece a fonte e em tom de lamento e alguma irritação com o estado a que chegou esta nação que "Está há uns anos adormecido numa gaveta do Ministério da Administração Interna um velho projecto de fusão das duas unidades policiais de elite – o Grupo de Operações Especiais da PSP (GOE) e o Grupo de Intervenção e Operações Especiais da Guarda Nacional Republicana (GIOE)."

Acrescenta que "Entre os cinco ministros que ao longo de vários consulados já folhearam o documento, nenhum se atreveu a dar seguimento ao assunto. O problema é naturalmente delicado: trata-se de tirar à PSP para dar à GNR."

Com esta afirmação fiquei sabendo que a PSP, afinal, detém um enorme ascendente sobre uma série de políticos. E isto é de tal maneira um enredo sinistro que só ministros da administração interna, a PSP tem cinco no bolso. Imagino que entre PS e PSD, a PSP deva ter repartido três pelo bolso da esquerda e dois pelo bolso da direita... ou será vice-versa? Na verdade nunca consigo distinguir quais é que são os da esquerda e quais é que são os da direita.

Ora continua o Manuel Catarino, explicando aos portugueses mais lentos de raciocínio que "A Guarda Nacional Republicana não só ficaria com o controlo total sobre as unidades de elite como ascenderia na prática a um patamar mais elevado da sua missão: passaria a ter um papel determinante – único – na guerra no terreno contra o terrorismo, o crime organizado e violento, as redes criminosas transnacionais." e logo, "A PSP perderia estatuto – resumindo-se a sua função a uma simples polícia cívica."

Manuel Catarino, ciente dos perigos que se escondem por detrás dos altos muros da Penha de França, onde se encontra o insidioso Imperador Ming, perdão, Diretor Nacional da PSP, alerta todos, ciente do elevado risco que corre: "Os lóbis do costume já se mexem ao mais alto nível: uns querem manter tudo como está; outros pretendem a mudança. O ministro fará como os anteriores: deixa o plano na gaveta."

Siderado, não só com a imaginação do autor como com a sua escrita proficiente e cativante, ao nível do melhor Rodrigues dos Santos, senão mesmo de uma Margarida Rebelo Pinto, a qual, tal como o Correio da Manha, detém recordes de vendas em Portugal (o que indicia a possibilidade assustadora das pessoas realmente os lerem!), pus-me a pensar...

Pensei, pensei e pensei e alguns 3 ou 4 segundos depois tive uma epifania: Epá, este Catarino é que está a fazer lóbi! Ainda por cima está a utilizar o jornal do qual é subdiretor para imprimir coisas que alguém lhe está mandar... este senhor não tirava isto assim da cabeça sozinho... ora eu a pensar que ele escrevia bem... quão enganado estive eu estes 3 ou 4 segundos... Isto quem escreveu foi o General Chaves!!!

Pois bem, na típica finta de quem não domina a informação mas domina o órgão de comunicação social e logo, o poder de desinformar, Manuel Catarino fez a sua parte do lóbi da GNR/militar para dar um empurrãozinho às ideias mirabolantes do plano "Sistema Dual Puro", seja isso lá o que for.

A ideia parece ser simples. Primeiro põe-se na GNR as unidades especiais todas, reativa-se a brigada de trânsito que tantas saudades deixou e falta faz, a brigada fiscal para por lá aquele general simpático que há tanto tempo aguarda uma oportunidade, a segurança aeroportuária, as armas e os explosivos, a segurança privada... Já agora, funde-se a PSP, a PJ e o SEF, colocando-os num saco de gatos estatutário, remuneratório e organizacional impossível de resolver. Depois disto feito teremos a GNR com todas as ferramentas que deveriam ser de uma polícia e não de uma organização militar, mantendo as suas anteriores competências reforçadas com aquelas que foram buscar aos outros e ainda partilhando investigação criminal com a suposta Polícia Nacional que, sem ferramentas de intervenção operacional definhará até estar ao nível operacional de uma polícia municipal... aí comprovar-se-á que, afinal, isto tudo seria melhor se só existisse GNR...

Bom, vamos lá por partes.


Se alguma coisa está mal no "sistema" de segurança interna português, essa coisa é a GNR.

Militar para umas coisas, polícia para outras, a GNR é a única organização portuguesa que consegue arranjar conflitos com todas as restantes. Conflitua constantemente com a PSP porque quer as suas competências (especiais, não o policiamento...) e acha sempre que as exerceria melhor (o que está por provar, embora seja fácil provar que as exerceria com uma menor eficiência, ou seja, com mais custos para o contribuinte) e também conflitua com a PSP por tudo e por nada; conflitua com os bombeiros e com a proteção civil por causa dos seus GIPS que são uma espécie de bombeiros de pistola à cintura que até há pouco tempo estavam em Lisboa a ganhar ajudas de custo; conflitua com a Marinha por causa da vigilância de costa; conflitua com a PJ e não faltam casos recentes como o da operação rio acima que de acordo com fonte da GNR poderia ter dado um "banho de sangue" entre agentes de autoridade, não obstante a PJ ter entrado e saído da área da GNR com os Fuzileiros, sem que a GNR se tivesse apercebido; conflitua com o SEF por causa do controlo das fronteira terrestres; conflitua com o Exército por causa das missões internacionais, enfim, mais palavras para quê?

Como muito bem mencionaram Carlos Anjos e Helena Gravato num artigo de opinião intitulado «Será o nosso modelo tão mau?» sobre o fantasmagórico conceito de Modelo Dual Puro: "discutamos racionalização, mas de uma forma séria; é mesmo para racionalizar e eliminar duplicação de competências. Vejamos então: Quais as competências duplicadas entre a PJ e o SEF e a PSP ou a GNR? Residuais. E quais a duplicação de competências entre PSP e GNR? Todas. As competências da GNR são exatamente as mesmas da PSP. Aqui chegados, facilmente se concluirá que nunca poderá haver uma discussão séria e honesta sobre racionalização de meios policiais que não comece pela unificação ou clarificação total de competências entre a PSP e a GNR. E essa racionalização tem a ver com a sobreposição total de competências, com a redundância de recursos e de serviços e com a sua dimensão, o que representaria uma verdadeira poupança de meios e recursos financeiros para o país. Se dúvidas houvesse, mais de 80% dos conflitos de competências que chegam ao Conselho Coordenador dos OPC ou ao SISI são como não poderia deixar de ser, entre a GNR e a PSP."

Os mesmos questionam-se ainda: "No entanto, (...) saiba-se lá porquê, a GNR fica intocada, é apenas referida para efeitos de reforço de competências e até para manter recursos de investigação criminal!"

Pois nós também não compreendemos.

Sobre as Unidades Especiais, só se me oferece dizer o seguinte:

As Unidades Especiais são recursos, ferramentas, como tal devem estar nas organizações que delas precisam com mais frequência e que delas fazem uso mais intenso. Porém, a sua existência tem de ser justificada ainda à luz de princípios doutrinais que se coadunem com a sua natureza complementar da atividade policial. Contrariamente ao que se possa pensar, o uso de unidades como o corpo de intervenção ou o grupo de operações especiais, para não falar de outros meios, está correlacionado com a ultrapassagem de um conjunto de patamares de risco e de outras ferramentas que se destinam a determinadas fases da escalada de violência potencial e efetiva.

A utilização desses meios deve estar subordinada aos mesmos princípios de atuação e à unidade de comando para que não ocorram cisões graves entre as necessidades de garantir ou repor a segurança dos cidadãos, com interpretações ou raciocínios doutrinários que impõem que  uso dessas unidades não tem retorno e não obedece às necessidade de quem está no terreno.

Assim, parece-nos mais plausível que as unidades especiais se mantenham na PSP, a qual tem à sua responsabilidade as zonas urbanas mais densamente povoadas, onde os riscos de alteração violenta da ordem com repercussões graves na vida social são mais fortes, que faz delas um uso intenso e que não se limita a utilizá-las para ir para Timor ou para o Iraque ou para isto... «Snipers abatem touros bravos». Atiradores do Grupo de Intervenção de Operações Especiais da GNR começaram ontem a abater os touros selvagens que há mais de dez anos vagueiam em Segura, Idanha-a-Nova. A operação está a ser coordenada pela Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) que anunciou ter sido detectado BSE (doença das vacas loucas) a um dos animais mortos e a outros tuberculose bovina. A carne, porém, não entrou no mercado.

"No matadouro há procedimentos que incluem análises de rotina sanitária e um desses animais deu positivo para o BSE", afirmou Nuno Brito, da DGAV.
O facto de os animais estarem doentes alarmou a população. "Isso é tão ou mais perigoso que os ataques. Estamos preocupados porque o gado selvagem pode contaminar os nossos animais", disse ao CM António Pina, 54 anos. Álvaro Rocha, presidente da Câmara de Idanha-a-Nova, assegura que "não há casos de transmissão de BSE".

Ontem, vários animais foram abatidos por militares da GNR que usaram espingardas de calibre 7.62 mm. A GNR criou um perímetro de segurança para evitar que balas perdidas atinjam terceiros. Os animais são retirados de forma discreta e incinerados. 

Pergunto-me porque é que é preciso snipers para este tipo de abate e como é que um perímetro de segurança pára projéteis 7,62 mm, mas devo ser eu que sou burro!!!

MR

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Pioneiros? De quê?!

Anda para aí um grande grupo de supostos "pioneiros”, que se dedicam a “inventar” que no tempo da Guarda Real de Polícia já havia GOE e CI...

Que foram os pioneiros e os experts de trânsito, e que os primeiros blindados (que, diga-se, não servem para um ambiente urbano mas tão só para escoltar o programa da Azeitona Segura) foram eles que adquiriram de forma pioneira e que, pioneiramente, os adoptaram como uma das suas primeiras necessidades...

Para esses: Aqui está a resposta!



AF

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Domingo desportivo

Quem não se recorda dos tempos aureos da RTP (confesso que a escolha do canal não é inocente, face à tinta que esta estação de televisão tem feito correr) em termos de futebol, quando transmitia 3 ou 4 jogatanas por semana e, no domingo à noite, qual ex-libris, apresentava uma síntese de tudo o que era bonito de se ver, um verdadeiro resumo alargado que compilava os golos e as grandes defesas, e deixava de fora as cacetadas e o tempo perdido por jogadores de qualidade e proveniência duvidosas a atar as botas nos últimos 10 minutos do jogo.

Na altura, ninguém achava mal. Hoje, é a diferença entre imagens brutas e editadas...

Em tudo o que é pisado e repisado, há-de haver uma altura em que alguém faça a síntese, em que alguém resuma tudo o que foi dito e aproveite apenas o que tem interesse.

No assunto da recolha de imagens por parte da PSP, a propósito da manifestação de 14 de Novembro, muito foi dito. Quase tudo asneira.

Permito-me partilhar um artigo que, quanto a mim, é o domingo desportivo de mais uma polémica sem substância, num país cada vez mais pródigo neste tipo de jornalismo.

Vasco Graça Moura conseguiu, em meia dúzia de linhas, fazer em resumo das jogadas mais importantes, dos lances de golo mais perigosos, e das defesas mais espetaculares.

Segue o link:


O facto de o ter feito em apenas um artigo, com uma dúzia de parágrafos, significa que os jornalistas tendencialistas, os fazedores de opinião de isenção muito questionável e os pseudo comentadores de conhecimentos muito pobres andaram este tempo todo a queimar tempo e a distribuir cacetada.

Esta sim, em inocentes desprevenidos, que não deviam ter que levar com isto cada vez que folheiam o jornal ou ligam a televisão...

DBL

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Classificados

Têm surgido, ultimamente, alguns anúncios de pessoas mais ou menos bem (in) formadas que querem vender o seu produto.

Até aqui, tudo normal.

Faz parte das regras de mercado que, numa política de venda mais ou menos agressiva, se tente iludir o consumidor a comprar aquilo que se está a vender, ainda que o produto não seja exatamente aquilo que vem no rótulo.

Os exemplos de vendedores ambulantes de opinião são inúmeros, e permito-me destacar apenas os que me estão mais frescos na memória.

1.       Secretários de Estado que chamam guardas aos polícias e que os comparam a funcionários públicos;
2.       Ex-Presidentes de países amigos que louvam a GNR pela sua brutal experiência no controlo de motins em Portugal;
3.       Historiadores que acusam a PSP de cargas feitas em pontes… pela GNR;
4.       Vítimas inocentes do holocausto de 14 de Novembro de 2012 que acham perfeitamente normal conviverem (partindo do salutar princípio de que até não tinham nada a ver com aquilo) com duas horas de chuva de pedras, assim como ignorarem ordens legítimas da força de segurança para dispersar, cometendo assim um crime (para os menos avisados, momento legalista deste comentário, artigo 304.º do Código Penal);
5.       Advogados destas vítimas do holocausto de 14 de Novembro, que juram a pés juntos, sem nunca lá terem estado, que estes inocentes foram vítimas da brutalidade excessiva dos polícias e do atropelo dos seus direitos;
6.       Jornalistas que patrocinam e dão tempo de antena, até à exaustão, a todo este conjunto de pessoas.

Vale tudo!

Ora, se a política de mercado para vender opinião à custa da Polícia permitiu chegar até aqui, não me levarão a mal que aproveite o ensejo para vender o meu próprio produto também, aproveitando esta secção de classificados que estes senhores brilhantemente construíram.

E o que é que eu vendo? Exatamente, estes mesmos senhores (e outros que tais), mal formados ou mal informados, que produzem opinião sobre factos, pessoas e instituições que não conhecem (mas deviam conhecer), abordando assuntos de forma leviana e superficial, criando na opinião pública confusão e conflito social.

Vendo baratinho.

Na altamente provável possibilidade de ninguém os querer comprar, troco-os. Por silêncio.

DBL

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Declarações do Vereador da CML sobre a PSP

O Exm.º Sr. Vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Dr. Nunes da Silva, hoje, em entrevista à Rádio TSF, admitiu que a PSP não tem meios nem ordens de multar, que anda distraída e tem falta de vontade em trabalhar, pelo que se irá instalar um sistema automático de leitura de matrículas para garantir a proibição de circulação de certos veículos na baixa de Lisboa.

1. Ainda bem que a PSP, como instituição centenária, não obedece a ordens da Câmara Municipal de Lisboa, pois se assim o fizesse, estava nesta altura a cometer um sem número de irregularidades:
a) a acompanhar, em escolta, veículos de grandes dimensões proibidos pela legislação rodoviária;
b) a permitir que se realizem inquéritos nas horas de ponta, prejudicando a fluidez de tráfego de milhares de automobilistas que se deslocam para os locais de trabalho e para casa;
c) a autuar e remover viaturas sem qualquer estratégia, nem prioridade, por mera indicação economicista;
d) a fazer escoltas a vereadores e a outras entidades que, protocolarmente e por motivo de risco, não têm qualquer direito a elas;
e) a regularizar trânsito em obras sem licenciamento.

2. Mas, e ainda relativamente aos meios a adquirir pela Câmara Municipal, supostamente para colmatar as falhas da PSP, questiona-se:
a) quanto irão custar as 15 câmaras de leitura automática de matrículas?
b) tanto quanto custaram os radares ?
c) para que efeitos? para os mesmos efeitos daqueles?
d) estarem parados porque a Polícia Municipal e Câmara Municipal não têm capacidade para levantar e processar todos os autos de notícia (automáticos) das infracções por eles detectadas?
e) quantos autos verificados, desde a instalação dos radares, foram arquivados por prescrição?
f) quantos é que não foram sequer levantados embora o sistema automático os tivesse detectado?
g) quanto tempo é que este “investimento” irá durar?
h) terá a Polícia Municipal capacidade para processar todos os autos que este equipamento consegue detectar?
i) ou acontecerá como nos radares que estão a ser utilizados descontinuadamente por falta de capacidade para levantar os autos todos?

3. Porque é que será que o Sr. Vereador usa, e prejudica, a imagem de uma Polícia centenária para justificar mais uma aquisição desnecessária, ou que não será rentabilizada?

4. Porque é que a Câmara Municipal de Lisboa promove, desde há muito tempo, a passagem de efetivos da Divisão de Trânsito para a Polícia Municipal se eles não são aptos nem tem ordens para actuar?

5. Será para poderem fazer, sem qualquer intervenção do poder central, o indicado no ponto 1?

AF

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A união faz a força!





Gostei das afirmações do "camarada Vasco", uma vez Vasco, sempre Vasco.

Também gostei do facto dos militares, ofendidos na sua dignidade se terem juntado para deliberar as suas formas de luta.

Trata-se, de certa forma, daquele tipo de "camaradagem" que só serve mesmo para a auto-protecção da classe, uma espécie de corporativismo, se o termo me é permitido em dois sentidos. Naquele que se utiliza frequentemente para designar todos os membros de um mesmo ofício, mas também no sentido político, semi-fascista.

Todavia, merece admiração porque, mesmo com todas as diferenças e conflitos internos, demonstram que sabem unir-se pelo interesse geral da sua instituição.

Ora aí está algo que na Polícia se vê cada vez menos. Basta ler a competição sindical sobre quem pede primeiro a demissão do director nacional, para se perceber que estamos entregues a pessoas que se dividem entre os "idiotas", os "mal-intencionados", os "traidores" e os "serviçais".

A indignação dos militares faz sentido?

Claro que faz!!!

Vejamos:

1. Contrariamente a todos os outros, nomeadamente os polícias, todos os militares, sem excepções (o que inclui a GNR), ficaram excluídos da famigerada Lei 12-A/2008 que regula os vínculos, carreiras e remunerações da administração pública;

2. Contrariamente a todos os outros, nomeadamente os polícias, todos os militares, sem excepções, estão colocados nos novos níveis remuneratórios, desde 1 de Janeiro de 2010;

3. Contrariamente a todos os outros, nomeadamente os polícias, todos os militares, sem excepções, têm 20% de suplemento de condição militar, desde 1 de Janeiro de 2010;

4. Contrariamente a todos os outros, nomeadamente os polícias, todos os militares, sem excepções, que tinham os tempos mínimos, foram promovidos ao posto seguinte, no ano de 2010 - e que festival de promoções foi esse!!!

Todas as ilegalidades e irregularidades nas transições para os novos níveis remuneratórios nas forças armadas e respectivos "arrastamentos" foram prontamente sanadas pelos Ministros da Defesa e das Finanças.

Nem se ouviu falar do Tribunal de Contas!

Foi o Ministro da Defesa o primeiro a garantir que nem sequer haveria necessidade de fazer reposições de todas as somas auferidas indevida e ilegalmente!

Ainda assim e apesar de os militares, contrariamente a todos os outros, nomeadamente os polícias, se encontrarem a usufruir, integralmente, de todos os direitos legais que lhes foram concedidos pelos novos estatutos, conseguem veicular para a opinião pública, a várias vozes e em diversas sedes, o seu enorme descontentamento e indignação, pela forma discriminatória e vexatória como estão a ser tratados pelos governos (o anterior e o actual).

Acrescentando ao discurso, surgem as ameaças àqueles que têm por missão garantir a ordem e as liberdades democráticas.

Os polícias esperam que essa gente indignada se porte tão bem nas manifestações quanto os outros cidadãos. Os outros, os verdadeiros, os que só são cidadãos e não ostentam nenhum acrescento qualitativo porque não precisam dele!

Espera-se que os militares se portem democrática e pacificamente na sua manifestação a qual, não é por direitos, mas por regalias, aquelas regalias que só os militares podem ter, mesmo sendo usufruídas sobre os ombros sacrificados de todos nós.

Os polícias esperam que essa casta privilegiada saiba o seu lugar no Estado de Direito Democrático que tentamos manter de pé.

Os polícias esperam que os Vascos Lourenços deste país se deixem de meias-palavras, mensagens subliminares e recados idiotas, subversões de meio quilo e ameaças parvas.

Em democracia, não há alteração ilegítima da ordem que não deva ou não possa ser reprimida.

A maior repressão que a Polícia possa fazer para garantir a liberdade, a segurança e a ordem democrática, será sempre incomensuravelmente menor do que aquela que se sofreu, neste país, às mãos dos militares através dos seus vis golpes, ora à direita, ora à esquerda.

Devemos esperar mais um?

De que lado estarão os militares desta vez?

Do mesmo de sempre senhores... Do seu próprio lado!

RA